terça-feira, outubro 26, 2010

O boicote da imprensa ao Serra

Hoje eu tive que fazer uma baudeação a mais de metrô porque a imprensa de São Paulo não noticia nada de bom que o governo faz. Foram inauguradas duas novas estações de Metrô, uma que integra com o trem no Tamanduateí e outra na Vila Prudente, porém isso não foi noticiado, se procurarmos no site da Folha Online só vemos notícias negativas sobre o Metrô:



Ou seja, para fazer campanha para o PT a Folha evita colocar em seu site notícias úteis para a população de São Paulo.

segunda-feira, outubro 25, 2010

Nos já estamos em uma Ditadura

O Brasil já tem mortos políticos (Celso Daniel, o prefeito de Campinas, parte da diretoria do Bancoop), exilados (A família do Celso Daniel), já temos ataques físicos contra políticos de oposição, temos o Estadão a quase um ano sobre censura, o legislativo domando, as estatais e os orgãos de governo aparelhados (receita e polícia federal), supremo apático, institutos de pesquisa vendidos.

Só falta agora fraudar a eleição presidencial.

domingo, outubro 17, 2010

Quem perde com a Dilma Russeff

Uma eventual derrota da Dilma Russeff significa também uma derrota para:

Os coronéis José Sarney, Fernando Collor e Renan Calheiros

O MST

Para o Marco Aurélio "Top Top" Garcia e o Celso Amorim e com eles a nossa sofrível política internacional que apoia o ditador do irã Amadinejah, o  ditador da Venezuela Hugo Chavez, os projetos de ditadores Evo Morales e Rafael Correa, os Reis de Cuba Fidel e Raul Castro, o genocida do Sudão, as FARCs e outras belezinhas.

Os jornalistas de aluguel Luis Nassif, Pedro Henrique Amorin e Mino Carta.

O ministro da verdade Franklin Martins, a diretora de TV Lula Tereza Cruvinel e os projetos de controle social da mídia.

Os institutos de pesquisa de Aluguel como o Sensus e o Vox Popoli

E por ai vai. Derrotar a Dilma Russeff  está para o Brasil assim como destruir a Estrela da Morte está para Star Wars.

segunda-feira, outubro 04, 2010

Entrevista com o Senador de São Paulo

São Paulo vai ter agora um senador e o casal Suplicy em Brasília. Vejam um emprevista com um político realmente republicano:

http://veja.abril.com.br/blog/augusto-nunes/videos-veja-entrevista/veja-a-entrevista-feita-em-agosto-de-2009-com-aloysio-nunes-ferreira

Mais um PTista disfarçado na GloboNews

Tem um "analista" falando na Globo News, impressionante como ele não fala do Serra, não se fala da vitória do PSDB nos maiores colégios eleitorais. Ele chegou a falar que a diminuição da oposição é uma renovação no Senado. Falou que o governo ganhou em importantes colégios eleitorais, como o Cerá e a Paraíba, hã?!?!?! O PSDB ganhou no primeiro turno em São Paulo, Minas e Paraná.

quarta-feira, setembro 29, 2010

Servindo videos do Linux para o PS3

A única solução que funcionou out-of-the-box para servir videos do Linux para o PS3 foi esse programa aqui:

http://code.google.com/p/ps3mediaserver/

Feito em java, ele utiliza o mencoder para decodificar qualquer coisa para mpeg2 e mandar via rede para o PS3 (inclusive com legendas).

sábado, setembro 11, 2010

Lua foi criada no Brasil

Acabo de descobrir que a linguagem de programação Lua foi criada no Brasil, mais especificamente na PUC do Rio por Roberto Ierusalimschy, Luiz Henrique de Figueiredo e Waldemar Celes em 1993.

Lua foi utilizado para fazer a UI do Lightroom, atualmente meu programa favorido para manipular fotos.

domingo, setembro 05, 2010

Democracia virtual

FERNANDO HENRIQUE CARDOSO - O Estado de S.Paulo

Vivemos uma fase de democracia virtual. Não no sentido da utilização
dos meios eletrônicos e da web como sucedâneos dos processos diretos,
mas no sentido que atribui à palavra "virtual" o dicionário do
Aurélio: algo que existe como faculdade, porém sem exercício ou efeito
atual. Faz tempo que eu insisto: o edifício da democracia, e mesmo o
de muitas instituições econômicas e sociais, está feito no Brasil. A
arquitetura é bela, mas quando alguém bate à porta a monumentalidade
das formas institucionais se desfaz num eco que indica estar a casa
vazia por dentro.
Ainda agora a devassa da privacidade fiscal de tucanos e de outras
pessoas mais mostra a vacuidade das leis diante da prática cotidiana.
Com a maior desfaçatez do mundo, altos funcionários, tentando elidir a
questão política - como se estivessem tratando com um povo de parvos
-, proclamam que "não foi nada, não; apenas um balcão de venda de
dados..." E fica o dito pelo não dito, com a mídia denunciando, os
interessados protestando e buscando socorro no Judiciário, até que o
tempo passe e nada aconteça.
Não tem sido assim com tudo mais? O que aconteceu com o "dossiê"
contra mim e minha mulher feito na Casa Civil da Presidência da
República, misturando dados para fazer crer que também nós nos
fartávamos em usar recursos públicos para fins privados? E os gastos
da atual Presidência não se transformaram em "secretos" em nome da
segurança nacional? E o que aconteceu de prático? Nada. Estamos todos
felizes no embalo de uma sensação de bonança que deriva de uma boa
conjuntura econômica e da solidez das reformas do governo anterior.
No momento do exercício máximo da soberania popular, o desrespeito
ocorre sob a batuta presidencial. Nas democracias é lógico e saudável
que os presidentes e altos dirigentes eleitos tomem partido e se
manifestem em eleições. Mas é escandalosa a reiteração diária de
posturas político-partidárias, dando ao povo a impressão de que o
chefe da Nação é chefe de uma facção em guerra para arrasar as outras
correntes políticas. Há um abismo entre o legítimo apoio aos
partidários e o abuso da utilização do prestígio do presidente, que,
além de pessoal, é também institucional, na pugna política diária.
Chama a atenção que nenhum procurador da República - nem mesmo
candidatos ou partidos - haja pedido o cancelamento das candidaturas
beneficiadas, se não para obtê-lo, ao menos para refrear o abuso. Por
que não se faz? Porque pouco a pouco nos estamos acostumando a que é
assim mesmo.
Na marcha em que vamos, na hipótese de vitória governista - que ainda
dá para evitar - incorremos no risco futuro de vivermos uma simulação
política ao estilo do Partido Revolucionário Institucional (PRI)
mexicano - se o PT conseguir a proeza de ser "hegemônico" - ou do
peronismo, se, mais do que a força de um partido, preponderar a figura
do líder. Dadas as características da cultura política brasileira, de
leniência com a transgressão e criatividade para simular, o jogo
pluripartidário pode ser mantido na aparência, enquanto na essência se
venha a ter um partido para valer e outro(s) para sempre se opor, como
durante o autoritarismo militar.
Pior ainda, com a massificação da propaganda oficial e o caudilhismo
renascente, poderá até haver a anuência do povo e a cumplicidade das
elites para com essa forma de democracia quase plebiscitária.
Aceitação pelas massas na medida em que se beneficiem das políticas
econômico-sociais, e das elites porque estas sabem que nesse tipo de
regime o que vale mesmo é uma boa ligação com quem manda. O "dirigismo
à brasileira", mesmo na economia, não é tão mau assim para os amigos
do rei ou da rainha.
É isto que está em jogo nas eleições de outubro: que forma de
democracia teremos, oca por dentro ou plena de conteúdo. Tudo o mais
pesará menos. Pode ter havido erros de marketing nas campanhas
oposicionistas, assim como é certo que a oposição se opôs menos do que
devia à usurpação de seus próprios feitos pelos atuais ocupantes do
poder. Esperneou menos diante dos pequenos assassinatos das
instituições que vêm sendo perpetrados há muito tempo, como no caso
das quebras reiteradas de sigilo. Ainda assim, é preciso tentar
impedir que os recursos financeiros, políticos e simbólicos reunidos
no Grupão do Poder em formação tenham força para destruir não apenas
candidaturas, mas um estilo de atuação política que repudia o
personalismo como fundamento da legitimidade do poder e tem a
convicção de que a democracia é o governo das leis, e não das pessoas.
Estamos no século 21, mas há valores e práticas propostos no século 18
que se foram transformando em prática política e que devem ser
resguardados, embora se mostrem insuficientes para motivar as pessoas.
É preciso aumentar a inclusão e ampliar a participação. É positivo se
valer de meios eletrônicos para tomar decisões e validar caminhos. É
inaceitável, porém, a absorção de tudo isso pela "vontade geral"
encapsulada na figura do líder. Isso é qualquer coisa, menos
democracia. Se o fosse, não haveria por que criticar Mussolini em seus
tempos de glória, ou o Getúlio do Estado Novo (que, diga-se, não
exerceu propriamente o personalismo como fator de dominação), e assim
por diante. É disso que se trata no Brasil de hoje: estamos decidindo
se queremos correr o risco de um retrocesso democrático em nome do
personalismo paternal (e, amanhã, quem sabe, maternal). Por mais
restrições que alguém possa ter ao encaminhamento das campanhas ou
mesmo as características pessoais de um ou outro candidato, uma coisa
é certa: o governismo tal como está posto representa um passo atrás no
caminho da institucionalização democrática. Há tempo ainda para
derrotá-lo. Eleição se ganha no dia

terça-feira, agosto 31, 2010

A oligarquia de esquerda


LUIZ FELIPE PONDÉ

A oligarquia de esquerda

O jargão "por uma sociedade mais justa" pode ser falado pelo pior dos canalhas



VOCÊ ACREDITA em justiça social? Tenho minhas dúvidas. Engasgou? Como pode alguém não crer em justiça social? Calma, já explico. Quem em sã consciência seria contra uma vida "menos ruim"? Não eu. Mas cuidado: o jargão "por uma sociedade mais justa" pode ser falado pelo pior dos canalhas. Assim como dizer "vou fazer mais escolas", dizer "sou por uma sociedade mais justa" pode ser golpe.
Aliás, que invasão de privacidade é essa propaganda política gratuita na mídia, não? O desgraçado comum, indo pro trabalho no trânsito, querendo um pouco de música pra aliviar seu dia a dia, é obrigado a ouvir a palhaçada sem graça dos candidatos. Ou o blablablá compenetrado de quem se acha sério e acredita que sou obrigado a ouvi-lo.
Mas voltando à justiça social, proponho a leitura do filósofo escocês David Hume (século 18), "An Enquiry Concerning the Principles of Morals, Section III". Cético e irônico, Hume foi um dos maiores filósofos modernos. É conhecida sua ironia para com a ideia de justiça social. Ele a comparava aos delírios dos cristãos puritanos de sua época em busca de uma vida pura. Para Hume, os defensores de um "critério racional" de justiça social eram tão fanáticos quanto os fanáticos da fé.
Sua crítica visava a possibilidade de nós termos critérios claros do que seria justo socialmente. Mas ele também duvidava de quem estabeleceria essa justiça "criteriosa" e de como se estabeleceria esse paraíso de justiça social no mundo. Se você falar em educação e saúde, é fácil, mas e quando vamos além disso no "projeto de justiça social"? Aqui é que a coisa pega.
Mas antes da pergunta "o que é justiça social?", podemos perguntar quem seriam "os paladinos da justiça social". Seria gente honesta? Ou aproveitadores do patrimônio dos outros e da "matéria bruta da infelicidade humana", ansiosos por fazer seus próprios patrimônios à custa do roubo do fruto do trabalho alheio "em nome da justiça social"? Humm...
A semelhança dos hipócritas da fé que falavam em nome da justiça divina para roubar sua alma, esses hipócritas falariam em nome da justiça social para roubar você. Ambas abstratas e inefáveis, por isso mesmo excelentes ferramentas para aproveitadores e mentirosos, as justiças divina e social seriam armas poderosas de retórica autoritária e mau-caráter.
Suspeito de que se Hume vivesse hoje entre nós, faria críticas semelhantes à oligarquia de esquerda que se apoderou da máquina do governo brasileiro manipulando uma linguagem de "justiça social": controle da mídia, das escolas, dos direitos autorais, das opiniões, da distribuição de vagas nas universidades, tudo em nome da "justiça social". Ataca-se assim, o coração da vida inteligente: o pensamento e suas formas materiais de produção e distribuição.
A tendência autoritária da política nacional espanta as almas menos cegas ou menos hipócritas. A oligarquia de esquerda associa as práticas das velhas oligarquias ao maior estelionato da história política moderna: a ideia de fazer justiça social a custa do trabalho (econômico e intelectual) alheio.
Outro filósofo britânico, Locke (século 17), chamava a atenção para o fato de que sem propriedade privada não haveria qualquer liberdade possível no mundo porque liberdade, quando arrancada de sua raiz concreta, a propriedade privada (isto é, o fruto do seu esforço pessoal e livre e que ninguém pode tomar), seria irreal.
Instalando-se num ambiente antes ocupado pela oligarquia nordestina, brutal e coronelista, e sua aliada, a chique oligarquia industrial paulista, os "paladinos da justiça social" se apoderam dos mecanismos de controle da sociedade e passam a produzir sucessores e sucessoras tirando-os da cartola, fazendo uso da mais abusiva retórica e máquina de propaganda.
Engana-se quem acha que propriedade privada seja apenas "sua casa". Não, a primeira propriedade privada que existe é invisível: sua alma, seu espírito, suas ideias. É sobre elas que a oligarquia de esquerda avança a passos largos. Em nome da "justiça social" ela silenciará todos.

sexta-feira, agosto 27, 2010

A incrível e triste história da joaninha boba e da vespa desalmada. Ou: Para Luiz Carlos Mendonça de Barros


A incrível e triste história da joaninha boba e da vespa desalmada. Ou: Para Luiz Carlos Mendonça de Barros

a-vespa-e-a-joaninhaAnunciei ontem que publicaria um ensaiozinho aqui da lavra deste escriba. Ele segue abaixo. Vocês não rejeitam textos longos, eu sei (ou não seriam meus leitores, hehe). Até gostam disso. Acho que vale a pena. Eu o reputo um dos mais claros que já escrevi. Vocês estranharão algumas coisas na trajetória. Ao fim, tudo se esclarecerá. Vamos lá?
*
A reforma da Previdência do governo FHC era criminosa; uma ainda mais severa no governo do PT foi virtuosa. Um superávit primário de 3,75% sob o comando do “neoliberal” FHC era criminoso; o de oficiais 4,25%, chegando a quase 6%, sob o comando de um “operário”, foi virtuoso. Com FHC na Presidência, o Ministério Público era a antítese virtuosa; com Lula lá, passou a ser a antítese criminosa. CPIs contra tucanos denunciavam crimes contra o povo; CPIs contra petistas é que são crimes contra o povo. Juros altos, sob o tucanato, faziam a vontade criminosa dos banqueiros; guiados pela estrela, passaram a ser um distintivo de suas virtudes. Foro especial para autoridades, quando o poder estava com o príncipe dos sociólogos, era crime de lesa-democracia; com a entronização do Moderno Príncipe, até uma MP para beneficiar um só virou encarnação da virtude. Privatizações com regras na gestão anterior eram privataria; “parcerias” do estado com a iniciativa privada, num mar de desregramento, provaram a adesão virtuosa do PT à economia de mercado.
Verá o leitor que há um propósito em tantas vezes se repetirem acima as palavras “criminoso” e “virtuoso” e outras de mesma raiz. À beira de completar um quarto de século, período em que cresceu encabrestando ou aparelhando todos os Poderes e instâncias da República, fossem as organizações do Estado, fossem as da sociedade civil, o PT se organiza para ficar no poder - se possível, para sempre. Fantasmagoria? Obviedade? Afinal, não será mesmo esta a vocação de qualquer partido: a permanência? Não se estaria aqui lendo como negativo o que é uma virtude? Respondo com um sonoro “depende”. Depende de quais instrumentos acatamos como legítimos na disputa política. Depende de considerarmos ou não aceitável que um partido construa, ao longo de mais de duas décadas, um patrimônio de luta política, com um conjunto claro de proposições (por mais doidivanas e irrealistas que fossem), para, por razões tão táticas quanto estratégicas, repudiá-lo uma vez eleito.
E, neste ponto, inicio uma anotação central para o entendimento do que está em curso: o PT foi tático quando aderiu ao conjunto de soluções que antes satanizara: temia, afinal, ser colhido pela voragem dos mercados. E foi também estratégico: essa “adesão” serviu para mascarar a sua essência autoritária, desarmando o espírito dos adversários, que então se deram por satisfeitos e consideraram um avanço que o partido tivesse renunciado a seu ideário esquerdista. Noto que, com efeito, procurar no petismo sinais de socialismo à cubana é tolice e perda de tempo - ainda existem brotoejas, mas irrelevantes. O que o PT conserva da herança esquerdista é o dirigismo, a vocação autoritária, o entendimento de que a sociedade deva ser conduzida por um ente de razão que é, a um só tempo, supra-histórico e encarnação da própria história. A crítica ao estelionato eleitoral não pode e não deve se esgotar nas muitas vezes em que o partido nega seu passado. Eis uma acusação a que a cúpula partidária responde com conforto: ora evoca a sua maturidade, ora confessa as “bravatas”, ora atribui suas ações à herança maldita.
Atrevo-me a propor um ponto de vista e uma consideração que me parecem novos: para o PT, “trair” o seu ideário era parte do jogo. Até porque não havia propriamente um ideário, mas a determinação de construir o partido como ente de razão.
Nem o PT nem o Partido Comunista Chinês são incompatíveis com a economia de mercado, com a globalização ou com o capitalismo.
A aposta de ambos, cada um respondendo a necessidades particulares, é a de que a “desordem capitalista” é passível de comando. E esse comando é incompatível com as melhores conquistas da sociedade democrática e do Estado de Direito. O que é esse tal Estado de Direito senão aquele em que nenhum ente a outro se sobrepõe como absoluto? O que é o Estado de Direito senão a impossibilidade de haver uma instância que, por absoluta, possa regular-se a si mesma?
Haver hoje no Brasil um sólido apoio de boa parte do empresariado ao governo do PT é, em vez de contradição, prova inequívoca de que, bem-sucedido na tática, o partido também logra os benefícios de uma bem-urdida estratégia de convencimento e inserção. A realidade se impõe como piada explícita: depois de ter conquistado a hegemonia nos sindicatos de trabalhadores, o partido finca a sua bandeira na Fiesp. É perfeitamente possível emascular a democracia de suas defesas antiautoritárias sem, no entanto, afrontar a lógica de mercado - a rigor, dada a construção atual, o petismo se mostra tão mais tentado ao stalinismo político quanto mais se dá ao mercadismo.
GRAMSCI E DISTOPIA
Um pouco de teoria ilumina o caminho. Mais de uma vez, já aludi a uma assustadora formulação de Antonio Gramsci, teórico comunista italiano, sobre o papel que reservava ao “partido”. Ele não estava se referindo, bem entendido, a um partido (que ele chama de “Moderno Príncipe”) empenhado em promover a conquista do poder por meio da luta armada, à moda russa. A “revolução” gramsciana se dá por intermédio do poder tentacular do Moderno Príncipe, que se utiliza das fissuras do “Estado burguês” e da tolerância política para cultivar os seus valores divergentes - mais ou menos à feição de certa vespa que põe o ovo no ventre de uma joaninha: a coitada passa à condição de hospedeira de um alien, que dela se alimenta enquanto a destrói. A vinda da larva da vespa à luz coincide com a morte da joaninha.
A guerra gramsciana tem como território as consciências. Deixemos que ele mesmo fale:
“O Moderno Príncipe, desenvolvendo-se, subverte todo o sistema de relações intelectuais e morais, uma vez que seu desenvolvimento significa, de fato, que todo ato é concebido como útil ou prejudicial, como virtuoso ou criminoso, somente na medida em que tem como ponto de referência o próprio Moderno Príncipe e serve ou para aumentar o seu poder ou para opor-se a ele. O Moderno Príncipe toma o lugar, nas consciências, da divindade ou do imperativo categórico, torna-se a base de um laicismo moderno e de uma completa laicização de toda a vida e de todas as relações de costume”.
Nem George Orwell sintetizou como distopia o horror que Gramsci resume como utopia. Há ali, de fato, os prolegômenos da ditadura perfeita. Reparem que não será o conteúdo dessa ou daquela proposições a determinar clivagens políticas ou sociais. “Crime” e “virtude”, palavras que nos devolvem lá ao primeiro parágrafo, se definirão segundo a necessidade, o interesse e a construção do Moderno Príncipe. Não estranha que os comunistas, ao longo da história, tenham feito tanta lambança (sempre em nome de causas ditas “progressistas”…), justificando, aqui e alhures, os atos os mais pusilânimes e cruéis, desde que pudessem evocar em seu favor uma causa humanista.
Tal prática, a rigor, antecede as formulações de Gramsci. Este, em verdade, é fruto dessa vivência e dessa visão de mundo e passou, depois, a ser um dos doutores dessa religião sem deus, desse “laicismo moderno”. Aos leitores recomendo a peça As Mãos Sujas, de Sartre, que trata de um assassinato político em nome da causa. É uma denúncia contundente desse mecanismo de pensamento. Mais tarde, o próprio autor cairia vítima do que havia denunciado, o que só serve de advertência para o poder insidioso do Moderno Príncipe.
TEORIA CONSPIRATÓRIA?
Aqui, uma outra porta importante se abre ao entendimento. A primeira (e talvez principal) tarefa do Moderno Príncipe consiste em alterar o DNA dos valores ideológicos, fazendo com que os adversários passem a duvidar das suas próprias certezas e valores, tornando-os, tanto quanto possível, hospedeiros da ideologia destinada a eliminá-los. No mês passado, num intervalo de três semanas, viu-se “O Partido”:
- 1) dar à luz o projeto dirigista da Ancinav, a agência de cultura que pretendia ser uma espécie de Conselho Inferior de Censura para artes e espetáculos;
- 2) enviar ao Congresso o projeto de lei criando o Conselho Federal de Jornalismo;
- 3) tentar instituir a Lei do Silêncio ao funcionalismo público;
- 4) ameaçar com o compartilhamento, entre todos os órgãos da administração federal, dos dados de quebra de sigilo fiscal e bancário;
- 5) cobrir o país com a sombra da ameaça em razão de mais de 1,7 mil sigilos bancários quebrados pela CPI do Banestado.
A simples sugestão de que tais ações possam estar coordenadas num propósito, de que todas elas têm, em comum, a ameaça do dirigismo e da criação de um Estado mais policial do que democrático, de que há método por trás dessa aparente bagunça, leva, inevitavelmente, o crítico a ser considerado uma pobre vítima das teorias conspiratórias. É claro que o PT, nessa hora, se aproveita do fato de que a análise política, no Brasil, é chinfrim, desinformada e carente de leitura. Soa antipático perguntar, mas eu não teria chegado até aqui se quisesse só granjear simpatias: quantos conhecem a teoria gramsciana? O que o jornalismo e boa parte da academia realmente leram sobre a trajetória da esquerda e suas estratégias de poder?
Forçar o observador a duvidar daquilo que vê, levando-o a apontar nuances de virtude numa prática obviamente autoritária, é parte do jogo, é parte da “subversão e todo o sistema de relações intelectuais”. No ponto extremo dessa atitude, ridiculariza-se o crítico, acusando-o de lunático, como se estivesse a denunciar a abdução de humanos por extraterrestres.
O DINHEIRO PÚBLICO
As cinco ações citadas como evidências recentes de arreganho autoritário podem ser implementadas sem uma afronta formal ao sistema democrático. O PT é mestre na prática de usar a democracia para solapá-la, sobressaindo o sistema de contribuição de filiados ao partido como a mais escandalosa prova de que já não se distinguem partido, governo, Estado e sociedade. A lógica é elementar: se o partido terá menos dinheiro ou mais a depender da quantidade de filiados que nomeie, está em suas mãos decidir que parcela de recursos públicos vai diretamente para ao caixa administrado por Delúbio Soares. O partido se torna o único regulador dessa relação, infenso a qualquer outra mediação, controle ou fiscalização.
O partido, sabe-se, vive do que o onipresente Delúbio consegue arrecadar lá à sua maneira e da tal contribuição de filiados. Os petistas que trabalham na iniciativa privada doam ou não uma parte de sua renda à Igreja Pentecostal do Petismo a depender dos “direitos” que pretendem ter como militantes. Ocupar um cargo público é, digamos, uma honraria na hierarquia dessa teologia. Se não contribui, não tem cargo. E isso escancara uma evidência: o PT se considera o dono natural e original dos recursos que pagam os eleitos e nomeados. Estes seriam meros intermediários dessa posse.
A presunção é a de que a bufunfa sairia do caixa do Estado com ou sem a contribuição obrigatória. É verdade. Mas é uma verdade que esconde um embuste milionário. Ser a decisão do partido de nomear mais filiados ou menos uma âncora de ajuste de seu próprio caixa já expõe, por si, a natureza do problema. “Não é ilegal”, muitos dirão. Mais ou menos, já que há uma cláusula branca de exclusão na nomeação, que pode ser entendida como chantagem (”Ou dá o dinheiro ou não é indicado”), não regulada por qualquer código. O fato de que a ilegalidade essencial jamais vai se encontrar com a prova material não muda a substância imoral do problema.
TÁ TUDO DOMINADO?
Enganam-se os que acreditam que estou aqui a concluir, a exemplo de certo refrão popular, que “tá tudo dominado”, como se a fantasmagoria gramsciana já  tivesse sido perfeitamente realizada. Eu, não! Nem pretendo superestimar o petismo nem creio, à diferença de algumas estrelas do partido que já estão por aí desenhando cenários para o Brasil de 2022!!!, que seu modelo já seja vitorioso.
Também aposto, a exemplo de muitos, nas virtudes das instituições brasileiras. Evito apenas tomar por corriqueiro, com olhos de déjà-vu, isto que já é mais do que um projeto de poder (porque em parte realizado) e que, na sua versão presente, conjuga economia de mercado com vocação dirigista, submetendo à mesma influência e ao mesmo ente de razão tanto o ultra-esquerdismo do MST como o, vá lá, liberalismo da Fiesp. Mais ainda: parte da consecução desse poder se alimenta, de forma parasitária, das gorduras e das proteínas da sociedade livre, como aquela larva da vespa incrustada no abdômen da joaninha.
A novidade desse arranjo em relação a tudo o que já se viu no país está - e seria bom que cientistas sociais e mesmo jornalistas tentassem demonstrar que assim não é, o que teria a virtude de estabelecer o debate - num partido que limita a sua própria história e a do país ao presente eterno (definindo, pois, o criminoso e o virtuoso segundo a necessidade da hora) e que se aproveita da enorme porosidade do sistema político e intelectual da democracia às investidas do discurso de esquerda para reescrever o passado, substituindo os fatos idos pela permanente mistificação do presente.
A prova escancarada viu-se quando o governo transformou, com a ajuda de parte da imprensa, em mérito seu a balança comercial de 2003, de US$ 24,8 bilhões.  Como Lula não é o midas da soja ou dos manufaturados, tampouco o cristo da multiplicação da lavoura e da produção industrial, aquele desempenho era resultado, ora vejam!, da dita “herança maldita” de FHC.
Sim, a política, e só ela, mais do que a economia, pode abalar essa construção, redefinindo estratégias. A política, em suma, não morreu. Não ainda. Nem tudo o que não é vespa é joaninha.
*
Encerrando
Como notaram pelos eventos citados no texto, ele já tem algum tempinho. Sabem quanto? MAIS DE SEIS ANOS!!! Eu o publiquei no nº 31 da revista Primeira Leitura, de setembro de 2004, como sabem os muitos leitores que têm em casa a coleção completa. Lula estava no poder havia apenas um ano e nove meses.  Ele integra um conjunto de textos em que eu criticava o comportamento tímido da oposição, que evitava o confronto com o petista, preferindo parabenizar o governo porque Antonio Palocci se mostrava, afinal, “um ortodoxo”.
E o que eu dizia ali? Ser comportadinho em economia fazia parte do figurino autoritário do PT. E denunciava as estratégias de ocupação do aparelho de estado e a forma insidiosa como a sociedade começava a ser substituída pelo partido. Nesse sentido, a metáfora fornecida pela natureza — a vespa que “insemina” a joaninha — é perfeita. E vejam ali: Delúbio, que se tornaria notório só em meados do ano seguinte, já era personagem importante da fábula macabra.
Nessa mesma edição, o filósofo Roberto Romano assinava um artigo intitulado “Todas as mordaças”, em que denunciava as investidas autoritárias do PT contra o estado de direito. Sabem quem era o dono da revista em 2004? Luiz Carlos Mendonça de Barros, o mesmo que teve agora violado o seu sigilo fiscal. Não, “eles” não gostavam da nossa revista, que resistiu até abril de 2006.
O que sinto ao reler um texto como o que vai acima? Desagrada-me que muitos dos meus temores estejam aí, como realidade palpável. Mas também, confesso, sinto satisfação intelectual. Poucos viam o que estava em curso. Eu era um deles. À época, algumas pessoas me disseram: “Não seja apocalíptico”. Nunca sou! Considero-me apenas realista. E continuarei na batalha, com os mesmos valores que me animavam então e que me animam ainda hoje.
Republico o texto também como uma homenagem a meu amigo Luiz Carlos Mendonça de Barros, alvo, mais uma vez, da canalha autoritária. Tentaram moer a sua reputação, e ele provou, por A + B, a sua decência. Seguirá sendo um dos grandes responsáveis pela modernização da economia brasileira.
Eis aí, amigão! Estávamos certos!
Por Reinaldo Azevedo
 
Fonte: http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/a-incrivel-e-triste-historia-da-joaninha-boba-e-da-vespa-desalmada-ou-para-luiz-carlos-mendonca-de-barros/

terça-feira, agosto 24, 2010

O risco de um PRI brasileiro

Edital do Estadão:


Na sucessão presidencial de 1994, a vitória de Fernando Henrique representou para o PT mais do que um revés nas urnas: foi uma derrota política autoinfligida pela decisão, ideologicamente motivada, de considerar o Plano Real um estelionato eleitoral - enquanto, nos comícios do tucano, as multidões agitavam notas da nova moeda. Só 8 anos depois, quando engavetou o programa aprovado no congresso partidário de Olinda e pintou o seu eterno candidato com as cores tranquilizadoras da paz e do amor, o PT se reabilitou politicamente ao aceitar o programa do ministro Palocci, de cujo êxito colhe agora os formidáveis dividendos eleitorais.

Desta vez, a se confirmarem as previsões de que Dilma Rousseff se elegerá no primeiro turno de 3 de outubro, a segunda derrota de José Serra certamente terá consequências para o seu partido muito diferentes das que produziram para o PT as derrotas de Lula da Silva. Na verdade, ao contrário do PT, o PSDB nunca teve jeito para ser oposição. Seu principal líder, Fernando Henrique Cardoso, nunca pretendeu ser um líder popular. Já enfraquecido depois de oito anos fora do poder, o PSDB não tinha condições de ajudar Serra a se contrapor ao enorme prestígio de Lula e ao contentamento da população com o seu governo. Nem o candidato se tem esforçado para obter esse apoio.

O segundo fracasso consecutivo do petista não estilhaçou o partido nem o impediu de se manter à tona aos olhos dos setores da sociedade de que se fazia porta-voz, desencadeando uma furiosa, persistente e não raro torpe campanha contra a reforma do Estado promovida pelo governo do PSDB. No poder, aliás, o lulismo não se aventurou a revertê-la, apesar do aparelhamento e do inchaço da máquina federal.

Já um segundo fracasso das aspirações presidenciais de Serra irão muito além do destino de um dos mais experientes políticos brasileiros. Pelo que se pode prever, a partir do histórico da disputa pelo poder entre os principais grupos antagônicos em cena, as colunas do edifício político desabarão sobre os tucanos com uma força destrutiva que o PT jamais experimentou na esteira de um malogro nas urnas. A sigla da estrela não se desmoralizou depois de 1994 porque continuou a ter um líder de talento político e amplo apelo de massas, cuja obstinação não diminuiria nem com a derrota seguinte, daí a 4 anos, depois da qual o PT manteve a sua implantação no País e seguiu trajetória ascendente nas eleições locais e parlamentares.

No caso dos tucanos, vencido Serra, tudo irá conspirar contra a possibilidade de se reerguerem. Até onde a vista alcança, justamente quando Lula passar a faixa a uma figura que é o seu oposto em matéria de projeção pessoal e política, faltarão ao PSDB - ou ao que restar dele - as condições para finalmente exercer o papel de oposição de que se furtou quase sempre por medo da popularidade do presidente. A falta de condições pode ser antevista na crise da campanha de Serra. A cada nova pesquisa, mais os tucanos obedecem à chamada Lei de Muricy - a de cada um por si.

Ao que tudo indica, o destino do PSDB é o confinamento em um único reduto político de peso, com a quase certa eleição de Geraldo Alckmin em São Paulo. A eventual derrota do ex-vice-governador Antonio Anastasia para o ex-ministro Hélio Costa em Minas ainda privará o partido de um novo líder em condições de reconstruí-lo, como seria obviamente o caso de Aécio Neves, o patrono de Anastasia a quem Serra se impôs como presidenciável. A escassez de condições objetivas deverá se acentuar com os ganhos que a frente governista terá no Congresso. Na Câmara e no Senado, PT e PMDB disputam qual será o dono da maior bancada. Nessa última Casa, PSDB e DEM devem ficar com a metade de suas cadeiras atuais.

Desenha-se, enfim, um cenário sombrio em que a política se limitaria aos jogos de poder, com os sórdidos lances habituais, dentro da coalizão hegemônica. Estarão criadas as condições para o surgimento de uma versão brasileira - com duas faces, a do PT e a do PMDB - da "ditadura perfeita" vivida pelo México décadas a fio sob o controle do PRI, o Partido Revolucionário Institucional.

quarta-feira, agosto 04, 2010

Testando blog por celular

Aeromoças nos anos 60

 

Acima fotos dos uniformes das aeromoças da Southwest nos anos 60, época em que a maioria dos passageiros eram homens de meia idade e as companhias aérias se preocupavam até demais para que os passageiros tivessem um voo confortavel.

terça-feira, agosto 03, 2010

"Regime do Irã não deveria ser reconhecido", diz ONG a Lula; leia carta na íntegra

MINA AHADI
DO COMITÊ INTERNACIONAL CONTRA EXECUÇÕES
Caro presidente Lula da Silva,
Sua oferta de asilo no Brasil para Sakineh Ashtiani, sentenciada à morte por ter feito sexo fora do casamento, é um passo importante para salvar a ela e seus filhos. Espero que com as muitas ações e esforços internacionais em curso no momento possamos salvar Sakineh e que ela e seus filhos possam voltar a se abraçar o mais cedo possível.
Agora que escrevo esta carta tenho diante de meus olhos o rosto de Maryam Ayoubi, morta por apedrejamento em 2001. Vejo o rosto de Shahnaz, Shahla, Kobra e dezenas de outras mulheres que foram enterradas até a altura do peito e mortas com pedras arremessadas contra elas. São imagens que continuo a ter diante de meus olhos. As vozes das crianças que me telefonaram para dizer que "nossa mãe foi morta por apedrejamento"-- continuo a ouvi-las. É esse o regime islâmico. Os governantes do Irã não conseguiriam sobreviver por um dia sem execuções, terror e sem espalhar o medo. Ainda que o regime islâmico tenha recuado um pouco devido à pressão da campanha pela salvação de Sakineh, tenta continuar espalhando o medo na sociedade por meio da execução de outros prisioneiros, especialmente prisioneiros políticos.
Hoje, dia 2 de agosto, nove prisioneiros foram sentenciados à morte em Kerman. Além disso, a promotoria em Teerã sentenciou seis prisioneiros políticos à morte, entre os quais Jafar Kazemi, que pode ser executado a qualquer momento. Zeynab Jalalian, outro prisioneiro político, também corre risco iminente de execução. Há mais pessoas na lista de execuções: Mohammad Reza Haddadi foi sentenciado à morte quando ainda menor de idade e agora, depois de completar 18 anos, pode ser executado a qualquer momento. Há mais de 130 menores idade prisioneiros e sentenciados à morte. O regime islâmico é o único do mundo a executar menores de idade.
Presidente Lula da Silva, existem hoje 17 famílias de prisioneiros políticos em greve de fome diante da prisão de Evin, em Teerã, para demonstrar solidariedade à greve de fome iniciada por seus filhos dentro da prisão alguns dias atrás. Trata-se de um protesto contra a brutalidade das autoridades da prisão para com os prisioneiros políticos. Além disso, o destino de três jovens alpinistas norte-americanos e as lágrimas de suas mães entristece as pessoas. O regime iraniano deteve os parentes do Sr. Mostafaei, o advogado de Sakineh Ashtiani, e os está retendo como reféns até que ele se entregue.
Presidente Lula da Silva, o Irã é um país com um regime brutal e criminoso. Trata-se de um regime homicida que deveria ser condenado por todos os povos e todos os governos. Permita-me, como representante do povo oprimido do Irã, dizer que não apenas desejo salvar Sakine e abolir o apedrejamento como também apelo a todos os chefes de Estado para que não reconheçam o regime islâmico como representativo do povo iraniano, e sim o vejam como o assassino do povo do Irã.
O regime é um governo de apedrejamentos e execuções, que lança pessoas à prisão a cada dia e corta suas mãos e pés. Trata-se de um regime que executa mais pessoas, em termos per capita, do que qualquer outro governo do mundo. Um regime como esse não deveria ser reconhecido pelas organizações internacionais e por chefes de Estado.
Cordialmente,
Mina Ahadi, porta-voz do Comitê Internacional Contra Execuções e do Comitê Internacional Contra o Apedrejamento

sábado, julho 31, 2010

Review da D5000

Achei no Blog  DIFFERENT THINKER um bom review da D5000:

http://marioav.blogspot.com/2010/04/50-dias-com-nikon-d5000.html

Na minha opnião a D5000 é a melhor DSLR entry level no mercado, pois possui o mesmo sensor CMOS de 12 MPixels das Nikons mais caras (A D3000 que é mais barata utiliza o sensor antigo CCD de 10 MPixels).

sexta-feira, julho 30, 2010

Só é preciso um escroque para gerar um massacre

A caça as bruxas foi principalmente a obra de um homem, Heinrich Kramer. O escroque tentou iniciar uma perseguição à Bruxas na região de Tyrol na Autria. O bispo local expulsou Kramer como sendo um homem louco e senil. Após a expulsão ele conseguiu uma bula papal reconhendo a existência de Bruxas (Summis desiderantes affectibus). Não satisfeito com o tom da bula, Kramer escreve um tratado sobre bruxaria chamado Malleus Maleficarum (Martelo das Bruxas). Para poder divulgar o livre Heinrich consegue (ou forja) uma aprovação da Universidade de Cologne. 


Rapidamente as idéias contidas no livro se espalham pela Europa e até pelos Estados Unidos criando um pânico e a conhecida caça as Bruxas. Nada como um idiotinha com sérios problemas de personalidade para gerar a morte de 40 à 60 mil mortes.

O presidente que exige uma mulher no Planalto nega socorro à mulher condenada à morte por apedrejamento

Até na morte por apedrejamento o Irã consegue ser mais brutal com as mulheres. Os homens, enterrados até a cintura, ficam com os braços livres para proteger o rosto. Nem isso será permitido a Sakineh Mohammadi Ashtiani, viúva de 43 anos, já punida com 99 chibatadas e agora à espera do ritual instituído em 1983 pela revolução dos aiatolás. O Código Penal determina que as mulheres sejam enterradas até a altura do busto, com as mãos amarradas por cordas e o corpo envolvido por um tecido.

Não podem sequer defender-se das pedras atiradas a curta distância sob o olhar da multidão reunida na praça. O grupo de executores, liderado pelo juiz que assinou a sentença, inclui os jurados que aprovaram a condenação, parentes da vítima, e figurões da comunidade e voluntários anônimos. Todos são homens: no Irã, mulheres não apedrejam; só podem ser apedrejadas. Para que a plateia não se frustre com mortes rápidas, as pedras que circundam o alvo são pequenas. O juiz atira a primeira. A agonia que se encerra com o traumatismo craniano não dura menos que uma hora.

Tanto pelo espetáculo da perversidade primitiva quanto pela ausência de motivos para a condenação, o caso de Sakineh provocou uma intensa mobilização na internet. Como em quase todos os países, multidões de brasileiros tentam impedir a consumação da brutalidade. Alguém teve a ideia de lançar a campanha “Liga, Lula”, inspirada na convicção de que Mahmoud Ahmadinejad não se negaria a atender a um pedido de clemência formulado pelo amigo brasileiro.

Lula também acha que ouviria um sim. Mas não vai ligar. Caso ligasse, não iria além de reparos em tom amistoso ao método escolhido para o assassinato. “Eu, sinceramente, não acho que nenhuma mulher deveria ser apedrejada por conta de… ter, sabe, traição”, gaguejou nesta quarta-feira. Adultério – ou “traição”, prefere Lula – não chega a ser um crime hediondo. Estariam de bom tamanho a cadeira elétrica, uma injeção letal, a câmara de gás, até mesmo a forca. Matar a pedradas pode parecer exagero, diria na conversa telefônica.

Mas a conversa não haverá, sublinhou a continuação da discurseira. “Um presidente da República não pode ficar na internet atendendo tudo que alguém pede de outro país”, justificou-se. “Veja, eu pedi pela francesa e pelos americanos que estão lá, pedi para a Indonésia por um brasileiro, pedi para a Síria por quatro. É preciso cuidado, porque as pessoas têm leis, as pessoas têm regras, as pessoas, sabe… Se começam a desobedecer as leis deles para atender o pedido de presidentes, vira uma avacalhação”.

Avacalhar significa desmoralizar, ridicularizar, tratar desleixadamente, não levar a sério. Não combina com a história de Sakineh. Mas a expressão usada pelo campeão da vulgaridade se ajusta admiravelmente ao próprio governo: é uma avacalhação. O verbo é conjugado o tempo todo há sete anos e meio.E frequenta com especial assiduidade o palavrório dos condutores da política externa.

Lula se desmoraliza ao tratar como problema político uma causa humanitária. Para defender o parceiro, age como ajudante de carrasco. Não pode ser levado a sério alguém incapaz de compreender que os direitos humanos prevalecem sobre todas as leis ou regras. Lula encara dramas com desleixo e participa de chanchadas com muita aplicação. É ridícula, enfim, a argumentação invocada para mascarar a verdade escancarada: para recusar ou endossar pedidos, para estuprar ou tratar respeitosamente normas legais, Lula compõe um hino à avacalhação. O que importa é a conveniência eleitoreira, o parentesco ideológico, a cumplicidade mafiosa.

Fidel Castro, por exemplo, emplacou três pedidos em três anos. Foi para atender ao ditador-de-adidas que o presidente autorizou a deportação dos pugilistas Guillermo Rigondeaux e Erislandy Lara, fez que não leu a carta da blogueira Yoani Sanchez e acusou o preso político Orlando Zapata de se se deixar morrer no 85° dia da greve de fome. Hugo Chávez emplaca todos, até os que chegam ao som da lira do delírio. Foi para agradar ao bolívar-de-hospício, por exemplo, que Lula violentou as leis de Honduras e transformou em pensão a embaixada brasileira. É para ajudar o comparsa venezuelano que hostiliza o governo colombiano e afaga as FARC.

Para eleger Dilma Rousseff, virou colecionador de crimes eleitorais. Para fechar negócio com José Sarney, transformou-o em homem incomum. Para chegar à presidência, exigiu que os corruptos fossem justiçados. Para consolidar-se no poder, promoveu-os a amigos de infância. No momento em que se recusou a estender a mão a Sakineh, em respeito às leis do Irã, estava ajudando Hugo Chávez a desrespeitar as leis da Colômbia. Enquanto adulava os narcoterroristas das FARC, o ministro Celso Amorim tentava estuprar a legislação israelense que proíbe a entrada na Faixa de Gaza de autoridades estrangeiras que podem ser utilizadas pelo Hamas como peças de propaganda.

Lula acha que uma brasileira merece a Presidência sobretudo por ser mulher. Mas não acha que merece misericórdia uma iraniana que só foi condenada à morte por apedrejamento porque é mulher. Lula anda chorando quando lembra que a longa temporada no poder está chegando ao fim. Não se comove com a iraniana angustiada com a aproximação do fim terrível. O candidato sem chances ao Nobel da Paz nem sabe o que é um humanista. Desde sempre fez a opção preferencial pelos pastores da violência. Dilma Rousseff acha que todas as mulheres devem apoiá-la porque é mulher. Não deu um pio sobre a saga da iraniana que vai morrer por ser mulher. Lula só pensa em Lula. Dilma não consegue pensar.

Como Sakineh, o Brasil merece e precisa ser salvo. A mulher iraniana depende da solidariedade internacional para livrar-se do horror. O país só depende da sensatez dos brasileiros.

Fonte: Blog do Augusto Nunes

quinta-feira, julho 29, 2010

Sem limite para o absurdo

“Um presidente da República não pode ficar na internet atendendo a todo pedido que alguém pede de outro país. É preciso tomar muito cuidado porque as pessoas têm leis, as pessoas têm regras, as pessoas, sabe, se começarem a desobedecer as leis deles para atender o pedido de presidentes, daqui a pouco vira uma avacalhação”.

Comentário do Augusto Nunes:

Lula, sobre o caso da iraniana Sakineh Mohammadi Ashtiani, condenada à morte por apedrejamento por suposto adultério, explicando que a defesa constante dos direitos humanos é uma avacalhação e deixando muito claro que não vai tomar o tempo de um canalha companheiro como Ahmadinejad para interferir em favor de uma mulher que não vota no Brasil.

sexta-feira, julho 16, 2010

"Estamos desterrados, essa é a realidade", diz preso cubano

Texto de Maite Rico publicado no El País e traduzido por Luiz Roberto Mendes Gonçalves:

"Não poderiam tê-los levado mais longe?", critica Blanca Reyes, representante das Damas de Branco na Europa, ao entrar no albergue onde estão hospedados os primeiros sete presos libertados pelo governo cubano. O lugar é realmente desolador: um polígono industrial nos confins do bairro madrilenho de Vallecas, juntou de uma descampado seco.

Mas os dissidentes não reparam nisso: há 72 horas estavam em uma prisão castrista. Uma dessas prisões vedadas aos observadores internacionais, nas quais acumularam um histórico de horrores desde que foram detidos na Primavera Negra de 2003. "São estruturas desumanas, e lhe digo como jornalista, não como preso", afirma Ricardo González, 60 anos, correspondente da Repórteres Sem Fronteiras na ilha. "Superlotação, goteiras de esgoto, celas onde os internos defecam em um buraco, no mesmo lugar onde dormem..."

Isso é o normal para todos presos. Mas para o grupo daquele 75 jornalistas e ativistas humanitários, que foram condenados a penas de até 28 anos, o governo aplicou o regime "de maior severidade", isolando-os em celas de castigo. Ricardo González passou três meses com a luz acesa durante 24 horas. Em troca, Léster González, 33, foi confinado em um cubículo de 1,80 metro sem luz. "De segunda a sexta-feira me tiravam um pouquinho por dia, para pegar sol", explica.

Os dissidentes foram colocados nas prisões mais distantes de suas cidades. "Recebíamos uma visita a cada três meses. E as visitas conjugais, duas vezes por ano", explica Ricardo, encerrado a 533 quilômetros de Havana. Quer dizer, uma tortura tanto para os presos como para suas famílias, que tinham de se viajar em um país onde o acesso ao transporte é uma agonia.

"O objetivo era romper os casais. Mas em vez de nos abandonar nossas mulheres se unem e surgem as Damas de Branco", acrescenta Ricardo. Junto dele está Alida, sua companheira. "Ela tem nacionalidade espanhola e queria sair de Cuba antes que me detivessem. Estando preso, lhe dei permissão para sair." "Mas eu não podia deixá-lo na prisão", explica a mulher, que foi demitida do banco onde trabalhava e tinha de viver das ajudas dos parentes no estrangeiro, "pedindo emprestado, acumulando dívidas". "O que mais me preocupava era lhe levar a sacola de comida para quatro meses, com o que pudesse conseguir", diz Alida. Nada evidente, dada a escassez crônica de alimentos que sofre Cuba, mas qualquer coisa melhor que "o picadinho de soja e peixe moído com tripas" da dieta carcerária.

A pressão internacional obrigou as autoridades a suavizar as condições dos dissidentes, que foram detidos com presos comuns. "Alguns se comportavam bem, mas outros tornavam nossa vida impossível, em conivência com os guardas", conta Léster, cujo olhar denota uma profunda inquietação. "Estou com medo. Não consegui dormir. Há momentos em que penso que isto é um sonho e que tenho de voltar à prisão. Estou muito abalado psicologicamente", reconhece. Sua mãe, Mireya, professora primária, não se separa dele.

Em sua cela de 83 metros quadrados, povoada por 66 detidos, alguns dos quais dormiam no chão, Pablo Pacheco, 40 anos, foi escrevendo junto com outros dois dissidentes uma rosa dos ventos do submundo que conseguiu vazar para o exterior e que saiu em um blog, "Voces tras las rejas" [Vozes atrás das grades]. Os presos políticos cubanos pelo menos contam com o apoio das organizações de direitos humanos. Mas ninguém cuida dos presos comuns. Pacheco lembra suicídios e autolesões para reclamar remédios ou para fugir das surras. Um dia alguém se furava um olho. Outro dia alguém engolia ácido...

As sequelas físicas mais evidentes são as de José Luis García Paneque, a quem uma infecção parasitária e a desnutrição fizeram perder 40 quilos. As autoridades se enfureceram com esse cirurgião especializado em queimados, lúcido e combativo, condenado a 24 anos por dirigir uma agência de imprensa independente. Nem sequer em seu estado se livrou dos golpes de alguns presos, instigados pela segurança cubana. Apesar de tudo, García Paneque demonstra uma integridade impressionante. Em troca, quem pior resistiu ao cativeiro, explicam os dissidentes, é o economista Antonio Villarreal. Na quarta-feira não saiu de seu quarto. "Está muito mal. O quebraram psicologicamente."

Antes de mandá-lo para a Espanha, o regime os transferiu para um hospital de presos em Havana. "Deram-nos frango para comer e tínhamos ar-condicionado. Como se pudessem em três dias limpar os sete anos em que não fomos pessoas", comenta Ricardo González. Também lhes entregaram uma calça, uma camisa e uma gravata (que ninguém usa em Cuba) para que passassem boa imagem. "Estamos desterrados, essa é a realidade", acrescenta Ricardo. Mas veem claramente: continuarão lutando "pelos que ficaram para trás". A ditadura castrista usou os presos de consciência como moeda de troca desde 1962, sem que tenha havido abertura política. "Devemos fazer que desta vez seja diferente. Se querem nos usar como isca, temos de puxar a vara e fazer o pescador cair. Não haverá nada que comemorar enquanto não houver democracia em Cuba."

segunda-feira, julho 12, 2010

A escolha de Serra

Abaixo está um texto do Demétrio Magnoli publicado no Estadão. É bom ver que a USP ainda forma pessoas com capacidade de fazer análises ao invés de somente repetir palavras de ordem.

"José Serra quase desistiu de disputar a eleição presidencial no fim de janeiro. Haveria motivos para a desistência. O País cresce à taxa de 6% e o consumo explode, sob o influxo do real valorizado e do ingresso de capitais de curto prazo, num cenário de déficit na conta corrente que será sustentado durante o ciclo eleitoral. Dilma Rousseff é a candidata de Lula, do núcleo do setor financeiro, dos maiores grupos empresariais e da elite de neopelegos sindicais. A decisão de seguir em frente revela a coragem política do governador paulista. Contudo, contraditoriamente, sua estratégia de campanha reflete a sagacidade convencional dos marqueteiros, não o compromisso ousado de um estadista que rema contra a maré em circunstâncias excepcionais.

Marqueteiros leem pesquisas como seminaristas leem a Bíblia. Do alto de seu literalismo fetichista, disseram a Serra que confrontar Lula equivale a derrota certa. Então, o governador resolveu comparar sua biografia à da candidata palaciana. Mas Dilma não existe, exceto como metáfora, o que anula a estratégia serrista. "Vai ficar um vazio nessa cédula e, para que esse vazio seja preenchido, eu mudei de nome e vou colocar Dilma lá na cédula", explicou Lula, cuja estratégia não é definida por marqueteiros. O pseudônimo circunstancial de Lula representa uma política, que é o lulismo. A candidatura de Serra só tem sentido se ele diverge dessa política.

O lulismo não é a política macroeconômica do governo, tomada de empréstimo de FHC, mas uma concepção sobre o Estado. A sua vinheta de propaganda, divulgada com dinheiro público pelo marketing oficial, diz que o Brasil é "um país de todos". Eis a mentira a ser exposta. O Estado lulista é um conglomerado de interesses privados. Nele se acomodam a elite patrimonialista tradicional, a nova elite política petista, grandes empresas associadas aos fundos de pensão, centrais sindicais chapa-branca e movimentos sociais financiados pelo governo.

O Brasil não é "de todos", mas de alguns: as máfias que colonizam o aparelho de Estado por meio de indicações políticas para mais de 600 mil cargos de confiança em todos os níveis de governo. Num "país de todos", a administração pública é conduzida por uma burocracia profissional. O Brasil do lulismo, no qual José Sarney adquiriu o estatuto de "homem incomum", não fará uma reforma do Estado. Estaria Serra disposto a erguer essa bandeira, afrontando o patrimonialismo entranhado em sua própria base política?

O Brasil não é "de todos", mas de alguns: Eike Batista, o sócio do BNDES, "o melhor banco de fomento do mundo", nas suas palavras, do qual recebeu um presente de R$ 70 milhões numa operação escabrosa no mercado acionário. Também é o país dos controladores da Oi, que erguem um semimonopólio a partir de privilégios concedidos pelo governo, inclusive uma providencial alteração anticompetitiva na Lei Geral de Telecomunicações, e se preparam para formar uma parceria com a Telebrás no sistema de banda larga. O lulismo orienta-se na direção de um capitalismo de Estado no qual o BNDES, as estatais e os fundos de pensão transferem recursos públicos para empresários que orbitam ao redor do poder. Teria Serra a coragem de criticar o modelo em gestação, inscrevendo na sua plataforma a separação entre o interesse público e os interesses privados?

O Brasil não é "de todos", mas de alguns: a nova burocracia sindical, cuja influência não depende do apoio dos trabalhadores, mas do imposto compulsório de origem varguista, repaginado pelo lulismo. Ousaria Serra defender a adoção da Convenção 87 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), declarando guerra ao neopeleguismo e retomando a palavra de ordem da liberdade sindical que um dia pertenceu ao PT e à CUT?

Num "país de todos", o sigilo bancário e o fiscal só podem ser quebrados por decisão judicial. No Brasil do lulismo, como atestam os casos de Francenildo Costa e Eduardo Jorge Caldas, eles valem menos que as conveniências de um poder inclinado a operar pela chantagem. Num "país de todos", a cidadania é um contrato apoiado no princípio da igualdade perante a lei. No Brasil do lulismo, os indivíduos ganham rótulos raciais oficiais, que regulam o exercício de direitos e traçam fronteiras sociais intransponíveis. Num "país de todos", a política externa subordina-se a valores consagrados na Constituição, como a promoção dos direitos humanos. No Brasil do lulismo, a palavra constitucional verga-se diante de ideologias propensas à celebração de ditaduras enroladas nos trapos de um visceral antiamericanismo. Estaria Serra disposto a falar de democracia, liberdade e igualdade, distinguindo-se do lulismo no campo estratégico dos valores fundamentais?

O lulismo é uma doutrina conservadora que veste uma fantasia de esquerda. Sob Lula, expandiram-se como nunca os programas de transferência direta de renda, que produzem evidentes dividendos eleitorais, mas pouco se fez nas esferas da educação, da saúde e da segurança pública. No país de alguns, os pobres não têm direito a escolas públicas e hospitais de qualidade ou à proteção do Estado diante do crime organizado. Teria Serra o desassombro de deixar ao relento os Eikes Batistas do mundo, comprometendo-se com um ambicioso plano de metas destinado a universalizar os direitos sociais?

Há um subtexto na decisão de Serra de comparar biografias. Ele está dizendo que existe um consenso político básico, cabendo aos eleitores a tarefa de definir o nome do gerente desse consenso nacional. É uma falsa mensagem, que Lula se encarrega de desmascarar todos os dias. Os brasileiros votarão num plebiscito sobre o lulismo. Se Serra não entender isso, perderá as eleições e deixará a cena como um político comum, impróprio para circunstâncias excepcionais. Mas ele ainda tem a oportunidade de escolher o caminho do estadista e perder as eleições falando de política. Nesse caso -- e só nesse! -- pode até mesmo triunfar nas urnas.

SOCIÓLOGO E DOUTOR EM GEOGRAFIA HUMANA PELA USP. E-MAIL: DEMETRIO.MAGNOLI@TERRA.COM.BR "

quarta-feira, junho 23, 2010

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Testando o Google CL

Dicas para não ter a sua bunda chutada



Uma excelente crítica a discurso anti-policia.

segunda-feira, junho 14, 2010

terça-feira, junho 08, 2010

Sem esperança

Excelente o Texto do Pondé que foi publicado na Folha:


LUIZ FELIPE PONDÉ

Sem esperança
Pergunto-me por que não proíbem professores de pregar o marxismo e toda a bobagem de luta de classes


RESPONDO ASSIM, de bate-pronto, a um aluno: "Não, não tenho nenhum ideal". Silêncio. Talvez um pouco de mal-estar. Todos ali esperavam uma resposta diferente porque todo mundo legal tem um ideal.
Eu não tenho. É assim? Confesso, não sou legal, nem quero ser. Duvido de quem é legal e que tem um ideal. Esperança? Tampouco. E suspeito de quem queira me dar uma.
De novo respondo assim, de bate-pronto, a outro aluno: "Não, não quero mudar o mundo, nem mudar o homem, muito menos a mulher, a mulher, então, está perfeita como é, se mudar, atrapalha, gosto dela assim, carente, instável, infernal, de batom vermelho e de saia justa".
Mentira, esta última parte eu acrescentei agora, mas devia ter dito isso também. Outro silêncio. Talvez, de novo, um pouco de mal-estar. Espero que falhem todas as tentativas de mudar o homem.
Não saio para jantar com gente que quer mudar o mundo e que tem ideais. Prefiro as que perdem a hora no dia que decidiram salvar o mundo ou as que trocam seus ideais por um carro novo. Ou as que choram todo dia à noite na cama.
Tenho amigos que padecem desse vício de ter ideais e quererem salvar o mundo, mas você sabe como são essas coisas, amigo é amigo, e a gente deve aceitar como ele (ou ela) é, ou não é amizade.
Perguntam-me, estupefatos: "Mas você é professor, filósofo, escritor, intelectual, colunista da Folha, como pode não ter ideal algum ou não querer mudar o mundo?".
Penso um minuto e respondo: "Acordo de manhã e fico feliz porque sou isso tudo, gosto do que faço, espero poder fazer o que faço até o dia da minha morte".
Perguntam-me, de novo, mais estupefatos: "Mas você está envolvido no debate público! Pra quê, se você não quer mudar o mundo?".
Sou obrigado a pensar de novo, outro minuto (afinal, são perguntas difíceis), e respondo: "Participo do debate público pra atrapalhar a vida de quem quer mudar o mundo ou de quem tem ideais".
Os intelectuais e os professores pegaram uma mania de ser pregadores, e isso é uma lástima. Inclusive porque são pessoas que leem pouco e que são muito vaidosas, e da vaidade nunca sai coisa que preste (com exceção da mulher, para quem a vaidade é como uma segunda pele, que lhe cai bem).
O que você faria se algum professor pregasse o evangelho ao seu filho na faculdade? Provavelmente você lançaria mão de argumentos do tipo que os intelectuais lançam contra o ensino religioso: "O Estado é laico e blá-blá-blá... porque a liberdade de pensamento blá-blá-blá...". Se for para proibir Jesus, por que não proibir qualquer pregação?
Pergunto-me por que não proíbem professores de pregar o marxismo em sala de aula e toda aquela bobagem de luta de classes e sociedade sem lógica do capital? Isso não passa de uma crendice, assim como velhas senhoras creem em olho gordo.
Nas faculdades (e me refiro a grandes faculdades, não a bibocas que existem aos montes por aí), torturam-se alunos todos os dias com pregações vazias como essas, que apenas atrapalham a formação deles, fazendo-os crer que, de fato, "haverá outro mundo quando o McDonald"s fechar e o mundo inteiro ficar igual a Cuba".
Esses "pastores da fé socialista" aproveitam a invenção dessa bobagem de que jovem tem que mudar o mundo para pregarem suas taras. Normalmente, a vontade de mudar o mundo no jovem é causada apenas pela raiva que ele tem de ter que arrumar o quarto.
E suspeito que, assim como fanáticos religiosos leem só um livro, esses pregadores também só leem um livro e o deles começa assim: "No princípio era Marx, e Marx se fez carne e habitou entre nós...".
Reconhece-se uma pregação evangélica quando se ouve frases como: "Aleluia, irmão!". Reconhece-se uma pregação marxista quando se ouve frases como: "É necessário destruir o mundo do capital e criar uma sociedade mais justa onde o verdadeiro homem surgirá"."
Pergunto, confesso, com sono: "E quem vai criar essa sociedade mais justa?". Provavelmente o pregador em questão pensa que ele próprio e os seus amigos devem criar essa nova sociedade.
Mentirosos, deveriam ser tratados como pastores que vendem Jesus e aceitam cartão Visa.


PS: É interssante como os bons colunistas da Folha são os que ficam longe da página de opnião do primeiro caderno.

LULA EXPLICA O MUNDO EM HEBRAICO



Essa é a melhor crítica que eu já vi do Lula. É impressionante como os Israelenses estão bem informados sobre o Brasil, a sátira não é feita com base em estereótipos, mas sim informação verdadeiras sobre Lula e o Brasil.

Depois da aparição do Lula eles fazem uma crítica ótima ao Ministro da Defesa, algo que no oriente médio só pode ser feito em Isreal, se alguém fizesse algo similar no Irã seria decapitado em praça pública.

OS PACIFISTAS DO HAMAS



Esse é um vídeo humorista feito por uma TV em Israel. A qualidade da crítica ao discurso pró-palestina é muito boa pois eles usam fatos para desmontar a gritaria anti-israel.

domingo, junho 06, 2010

Bangkok Best


Bangkok Best
Originally uploaded by varuzza
Esse foi o primeiro restaurante Tailandes que eu comi e eu gostei bastante da comida. Hoje procurei no google maps o lugar para ver o endereço e descobri que o lugar não tem bons reviews, olhando para alguns comentários vi reclamações sobre o serviço e o tosquice do banheiro. Realmente o banheiro e o serviço não eram lá essas coisas, mas comparado com o que eu estou acostumado no Brasil me pareceu normal.

sexta-feira, junho 04, 2010

Eu gosto muito do comercial da Sony que está abaixo, não somente porque é um comercial muito bonito e porque é impressionante o que eles fizeram com animação de massinha, mas porque quando estive lá passei por alguns dos lugares mostrados nesse vídeo e ele me dá uma sensação saudosista de New York.



Vale a pena também ver o Making Of:

quinta-feira, maio 13, 2010

Buscando uma tomada

No aeroporto tem um tal de Centurion Club do American Expressas. Supus que eles tivessem uma tomada para que eu possa ligar o notebook e quem sabe alguém estivesse jogando alguns cristãos aos leões. Apesar de estar escreto na porta que eles aceitam o cartão AMEX Corporate isso não é verdade, eles só aceitam cartões Gold e Platinium.

Acabei ligando o notebook em uma tomada ao lado de um totem de propaganda. Consegui mandar os emails que eu precisava e logo em seguida achei umas cadeiras com tomada em baixo.

sábado, maio 08, 2010

Um novo tipo de pilha recarregável

As pilhas recarregáveis perdem a carga mesmo quando não estão sendo utilizadas. Isso é um problema para equipamentos que não são utilizados com muita frequência, como o flash da câmera ou o controle remoto, por isso o uso dessas pilhas não é muito prática com esses equipamentos pois quando eles são necessários descobre-se que a bateria está descarregado.

A Sanyo desenvolveu uma nova pilha recarregável do tipo NiMH chamada eneloop que perde a carga em um ritmo muito mais lento, por isso ela pode ser vendida já carregada e portanto pronto para uso e não sofre do problema de se descarregar dentro do equipamento (mais detalhes aqui).

As Eneloop podem ser compra nos EUA no site Battery Junction, na Amazon e até na Radio Shack. Aqui no Brasil é possível acha-las no Mercado Livre. Eu acabei comprando as minhas em uma lojinha no centro, paguei um valor indecente por elas.

Chegando em casa coloquei as novas pilhas direto no Flash SB-600, e sai disparando. O tempo de reciclagem é MUITO melhor do que o tempo das velhas pilhas Sony que eu tenho, mas essa comparação não é justa pois não tenho certeza se as pilhas do Sony que eu tenho não são falsificadas.


Ainda preciso testar mais, porém não vejo a hora de poder comprar mais Eneloops por um preço descente fora do Brasil.

quarta-feira, abril 21, 2010

Liberdade de Expressão?

Segundo dados do Google o Brasil é o país em que o governo que mais pede para remover vídeos do YouTube:

http://www.google.com/governmentrequests/


Brasil um país caminhando para se tornar um Irã.

domingo, abril 11, 2010

A oposição tem discurso de sobra

Reproduzo abaixo o excelente texto do Augusto Nunes:


Seis discursos, três dos quais de improviso, e nenhum plural exterminado, nenhum pontapé na gramática, nenhum raciocínio esganado pelo cérebro baldio, nenhum frase perdida no deserto de neurônios - nenhuma agressão à lógica e ao idioma. Tanto bastaria para que se saudasse com fanfarras e fogos de artifício a festa de lançamento da candidatura presidencial de José Serra. Mas o conteúdo superou a forma, e a celebração política ocorrida em Brasília neste sábado excitou o Brasil que pensa com a sensação de que pode estar perto do fim a Era da Mediocridade instituída há mais de sete anos.
O presidente Lula atravessou o verão com Dilma Rousseff no colo e um par de certezas na cabeça: a oposição iria passar a campanha sem discurso e tentando esconder Fernando Henrique Cardoso. Acaba de descobrir que flutuou na estratosfera. Aplaudido de pé pela multidão, FHC foi louvado por todos os oradores, finalmente despertados para a evidência de que o ex-presidente só é impopular entre milicianos petistas e cabeças contaminadas por versões companheiras da história do Brasil. A segunda fantasia foi rasgada ao longo do encontro e ficou em frangalhos com o pronunciamento de José Serra. A oposição tem discurso de sobra.
Quem não tem é Dilma, reafirmou a fala de Serra, radiografada com brilho e precisão por Reinaldo Azevedo no seu blog em VEJA.com. Na convenção do PT, a sucessora que Lula inventou produziu só mais um capítulo do Discurso sobre o Nada. Reverenciou seu Senhor particular mais de 60 vezes e prometeu que, se virar presidente, vai seguir disciplinadamente o caminho que ele ensinou — sejam quais forem o traçado e o destino. Neste sábado, em menos de uma hora, Serra escancarou o abismo que separa um político com história pessoal, biografia política e currículo administrativo de uma principiante de passado fosco, presente bisonho e futuro escurecido pelo perigo.
Desprovida de ideias próprias ou expropriadas, estreante em disputas eleitorais, Dilma anda produzindo platitudes, obviedades ou maluquices em quantidade suficiente para matar de tédio a mais gentil das plateias. Reduzida a apêndice de Lula, terá de enfrentar um adversário com sólida formação política, ampla autonomia de voo, larga milhagem em comícios, testado em muitas disputas eleitorais e capaz de dizer o que pretende com clareza e consistência.
Não é um panorama alentador para quem só precisou de uma viagem a Minas para oferecer a Aécio Neves a provocação que faltava para cimentar a parceria eleitoral com Serra com um discurso que, simultaneamente, implodiu outro equívoco de Lula. Convencido de que Aécio reprisaria a performance ambígua das eleições presidenciais anteriores, o Grande Estrategista decidiu que Dilma visitaria o túmulo de Tancredo Neves em São João del Rey e, no meio de alguma entrevista, proporia ao neto do homenageado a aliança promíscua.
Deu tudo errado, deixou claro Aécio neste sábado. Incisivo, contundente, lendo na memória o texto com requintes mineiríssimos, o melhor orador da festa lembrou os piores momentos da feroz oposição feita pela companheirada a Tancredo Neves, Itamar Franco e Fernando Henrique. Depois de cumprimentar Lula por ter mantido as linhas gerais da política econômica do antecessor, informou que o PT sempre colocou os interesses partidários acima dos interesses do país. Cumpre à oposição fazer o contrário.
Foi um discurso sem volta. Ainda que insista em disputar o Senado, Aécio vai comandar a campanha de Serra em Minas com a energia que faltou em 2002 e 2006. O neto de Tancredo aparentemente compreendeu que, desta vez, o triunfo individual talvez seja insuficiente para preservar o sonho de chegar ao cargo que o avô não pôde assumir.

sábado, abril 10, 2010

O populismo Mata

Muitas das mortes no rio foram causadas pelo populismo barato que se recusa a remover pessoas de áreas de risco. O prefeito de Niterói que é do PT e administra a cidade à 7 anos tinha como plataforma a urbanização da Favela do Bumbo, aquela que foi construída em cima de um lixão.

Aqui em São Paulo o populismo do PT se manifesta na forma dos "movimentos sociais" controlados pelo partido que se opõe a qualquer medida da prefeitura de remover pessoas de áreas de risco. É óbvio que existem lugares onde as pessoas não devem viver, como por exemplo dentro do leito do Rio ou em encosta de morros, mas mesmo assim os políticos da farsa fazem um discursinho de "Olha a prefeitura má tirando as casas das pessoas pobres", depois quando morrem 200 o PT vem e fala: "Que tragédia, não havia nada o que fazer".

sexta-feira, abril 02, 2010

O açúcar do PAC

Texto de Márcio Aith na Folha de Hoje:


Dois países devolveram recentemente navios com açúcar importado do Brasil. Motivo: não era açúcar, mas areia. Uma quadrilha que agia nos portos nacionais fazia a troca do produto in natura antes do embarque, numa fraude de curiosa complexidade que, ao que tudo indica, funcionou por anos e lesou exportadores e importadores.
Investigado com discrição pelas autoridades, o crime eleva ao patamar do absurdo o caos logístico e a falência da infraestrutura brasileiros. Ele se soma à burocracia, à corrupção, à carga tributária, às estradas esburacadas e ao funil portuário na lista de obstáculos enfrentados pelo produtores nacionais.
Entre 2002 e 2009, o valor das vendas externas brasileiras aumentou de R$ 60 bilhões para R$ 152 bilhões. No mesmo período, a malha ferroviária brasileira manteve-se nos mesmos 30 mil quilômetros, o percentual de rodovias pavimentadas ficou em pouco mais de 10% e os custos de logística subiram.
Perdíamos, e continuamos perdendo, em quase todos os quesitos de eficiência logística para Índia, China, Rússia, Argentina e África do Sul, entre outros tantos.
Diante disso, questiona-se se os tais PACs, os dois programas de obras da ministra Dilma Rousseff, estão funcionando. Estão, mas não no que interessa ao país. Sua eficácia parece mais cênica. Ainda que não nos convençam, o barulho que se faz em torno deles, a artificialidade das apresentações oficiais e o ar concretado da ministra ao pronunciar “obras estruturantes” embaralham a percepção da realidade.
Não se fala mais de ferrovias e rodovias em frangalhos, mas de obras a serem criadas no futuro. O esforço nunca feito em infraestrutura deixou de ser passivo eleitoral para transformar-se numa “carteira de projetos para o sucessor”. Os problemas reais foram substituídos pelo mundo do powerpoint.
No universo de Dilma, cuja candidatura talvez seja a única obra visível dos dois PACs, areia sai pelo preço de açúcar.

segunda-feira, março 15, 2010

A MÁ SORTE DOS COOPERADOS DA BANCOOP É QUE OS DIRIGENTES DA ENTIDADE NÃO SÃO DO DEM…



segunda-feira, 15 de março de 2010 | 5:57

A grande e terrível má sorte das vítimas da Bancoop, a cooperativa do Sindicato dos Bancários que lesou muita gente, está no fato de os dirigentes da entidade pertencerem ao PT. Os cooperados teriam melhor sorte se João Vaccari Neto e Ricardo Berzoini, duas das pessoas diretamente ligadas à barafunda, fossem membros do DEM. Aí teríamos um pandemônio! Mas não! O segundo foi presidente do PT até outro dia e é membro de destaque da burocracia partidária. Eu até o chamo de “Berzoniev”, tentando dar, assim, um sotaque soviético a seu nome, coisa bem apropriada a sua postura de burocrata cinzento.
O outro capa-preta é nada menos do que o atual tesoureiro do PT e amigo pessoal de Lula. Vaccari veio da engrenagem da CUT. Pertencia ao conselho da Usina de Itaipu. É um petista de quatro costados. Em depoimento prestado à Procuradoria Geral da República, Lúcio Funaro o acusa de ser o homem da corretagem junto aos fundos de pensão das estatais. Reportagem de capa da VEJA desta semana conta tudo.
Fossem os chefões da Bancoop membros do DEM, aí os cooperados teriam a seu lado toda a imprensa — sem exceção — e, muito provavelmente, o aparato do estado mobilizado não exatamente para atender a seus interesses, mas para pegar os adversários do PT. Indiretamente, as vítimas poderiam até ser beneficiadas.
Fossem os chefões da Bancoop membros do DEM — ou do PSDB —, e fitas e gravações provando falcatruas já teriam sido plantadas em todas as redações. E a coisa não seria um mal em si, claro: havendo safadeza, como havia no governo Arruda, é preciso mesmo botar a boca no trombone — e lembro que os pilantras do DF não estão mais no DEM. Já Berzoini e Vaccari pertencem ao núcleo duro do PT.
Fossem os chefões da Bancoop membros do DEM, setores da Polícia Federal estariam empenhados em provar as vinculações entre o esquema criminoso e a direção nacional do partido  —  como fazem, agora, ao investigar o caso Arruda. O governador preso já teria até redigido a sua carta acusatória… Mais um pouco, ele entra no programa de delação premiada e transforma seu cleptogoverno numa obra do DEM nacional. E não aparecerá nenhum juiz para recomendar cuidado porque, afinal, este é um ano eleitoral… Todos acreditarão que, pela primeira vez na vida, Arruda estará falando a verdade…
Fossem os chefões do Bancoop membros do DEM, e as vítimas da cooperativa já teriam sido levadas à Câmara e ao Senado para falar com os parlamentares, para protestar. Os petistas estariam desfilando com eles para cima e para baixo. Suplicy cantaria Bob Dylan e declamaria aqueles magníficos versos dos Racionais…
Para má sorte dos cooperados, nem os dirigentes do DEM são diretores da Bancoop nem as atuais oposições sabem, como direi?, fazer oposição como faria — e faz — o PT. O que impede tucanos e democratas de levar ao congresso as vítimas dos golpistas? Quem não se lembra de deputados petistas fazendo proselitismo em São Paulo durante as enchentes, acusando Kassab e Serra de serem os responsáveis pelas maiores chuvas havidas na cidade em sete décadas? Não esperem que os parlamentares do “partido” façam o mesmo em defesa das vítimas do… partido!!!
Muitos parlamentares da oposição gastam boa parte do seu tempo atribuindo esta ou aquela dificuldade à demora de Serra em lançar a candidatura — como se a eleição fosse amanhã. Não é. Está longe. O que está bem perto é um descalabro que colheu centenas de famílias, que, adicionalmente, ainda são vítimas da truculência da Bancoop, como atesta o escritor e jornalista Ignácio de Loyola Brandão em carta enviada à VEJA. Não receberam seus apartamentos e ainda sofrem ameaças. Brandão é um profissional bem-sucedido, pode gritar. Mas não os outros. E, numa democracia, os parlamentares também são a voz de quem não tem voz. Acorda, tucanada! Acorda, DEM!
No que me concerne, continuo firme na campanha: Arruda precisa de parceiros para jogar dominó!



sábado, março 13, 2010

Filha de porco, porquinho é


“Normalmente um preso faz greve de fome para conseguir sua liberdade. Mas este queria TV, telefone e cozinha. Isso é absurdo, ele deveria ter sido tratado por psiquiatras. Não era um preso político”.

Aleida Guevara March, Filha de Che Guevara, mostrando que enche de orgulho o porco fedorento.

sexta-feira, março 12, 2010

Os novos senhores feudais

Na idade média a Igreja estava associada ao senho Feudal na exploração dos camponeses. No Brasil de hoje os senhores feudais são os cornéis e os donos de sindicato, que se usam o discurso de esqueda para criar instrumentos que sugam a riqueza da sociedade produtiva.

Carta Aberta do Diretor do GAP ao Presidente Lula



“EU SOU UM BANDIDO!”


Não se assustem não. Os chimpanzés, os grandes primatas e o GAP nada tem a ver com isso. Isto está relacionado com o meu passado cubano. Eu sou um ex–prisioneiro político, que, para o nosso Presidente, são comparáveis aos bandidos que lotam as prisões paulistas, e não teria direito a protestar, nem a fazer greve de fome, como o operário cubano Orlando Zapata, que morreu após 85 dias desse protesto.

Em 1961, eu tinha 20 anos. Desde os 16 lutei contra a Ditadura de Batista e anos depois tive que lutar contra a dos irmãos Castro, amigos fraternos do nosso Presidente. Na prisão de Cabana, dirigida por Che Guevara, passei várias semanas. Presenciei a morte de vários de meus companheiros estudantes, garotos até mais jovens do que eu. Também presenciei a morte do Comandante Humberto Sori Marin, que redigiu a primeira lei de Reforma Agrária quando lutava na Serra Maestra, junto aos irmãos Castro, e depois lutou contra a ditadura implantada por eles. Todos aqueles fuzilados no Paredão da Cabana nunca tiveram um julgamento, um advogado de defesa, nem puderam falar sua verdade. Essa história se repetiu centenas, milhares de vezes. Algum dia essa história terrível e tenebrosa da Cuba Castrista será conhecida.

Eu era Secretário Geral da Federação de Estudantes Católicos de Cuba, com três universidades e dezenas de colégios. Todas as universidades e escolas foram fechadas e ocupadas pelo regime ditatorial e nunca mais o ensino privado existiu.

Para a Justiça Castrista só opinar contrário ao regime te condena. Se fosse publicada em Cuba, esta carta me levaria à prisão por longos anos. Por isso Orlando Zapata morreu, por querer opinar, falar sua verdade. Isso em Cuba é um privilégio dos irmãos Castro e os que vivem sob sua sombra.

Eu fiz o compromisso de nunca falar de política cubana neste espaço, já que as causas dos grandes primatas e ambientais não têm cor política e precisam do apoio de todos. Porém, estaria traindo a mim mesmo, aos meus companheiros que caíram em 50 anos de luta, e ao meu “país adotivo” - o Brasil - se não falasse o que sinto neste instante, ao ser humilhado duplamente pelo Presidente do meu país, que me condenou sem conhecer-me, sem julgar-me e sem poder defender-me, como os irmãos Castro – assassinos múltiplos – fazem com o seu povo.

Dr. Pedro A Ynterian
Presidente, Projeto GAP Internacional
Notícias do GAP 11.03.2010 
 

Mídia independente

Antigamente a arte e a literatura eram financiada pelo governo e pelos mecenas. O artista dependia da boa vontade dos ricos e dos governantes para conseguir o sustento, um passo em falso e ele caia em desgraça e ia para no olho da rua (Vejam por exemplo "Mulher com brinco de pérola" para ver a relação entre o artista e o mecenas). O surgimento da propaganda e do anuncio pago permitiu o surgimento de revistas, canais de TV independentes do governo, e até do Google, que vive dos pequenos anúncios colocados no site e por toda a internet.

É curioso o constante ataque que os "intelectuais" e "univesitários" brasileiros fazem ao anúncio, dizem que ele sujeita quem aceita o anuncio aos interesses do anunciante, quando que na verdade ocorre o contrário, pois um veículo de sucesso não depende de um único anunciante para viver,  se a Ford não gosta do que a veja escreve e resolve tirar o anúncio não é o fim da revista, ela continua tendo anunciantes e o espaço pago pela Ford é substituído pela Unilever ou pela GM. Eu acabei de ver um texto que falava "Que os quadrinhos existem para formar consumidores", como se a turma da Mônica fosse um imenso complô da Estrela e da Mattel, quando na verdade o quadrinho existe porque era algo que o Mauricio de Souza queria fazer e conseguiu porque se tornou economicamente viável. Por outro lado,  a chamada "mídia independente" só tem um anunciante, que é governo, que financia revistas como a "Carta Capital" através das estatais, ou o blog do Luis Nassif através da TV Lula. Esses veículos não podem se dar ao luxo de desagradar o único financiador. 

A universidade e as escolas ensinam para as crianças que o único modelo aceitável é o de Cuba, onde o jornal Gramma não atende os interesses dos anunciantes e que por isso se tornou tão rico em conteúdo que o seu principal uso na ilha-prisão de Fidel é limpar a bunda dos cubanos.

quinta-feira, março 11, 2010

ESTADÃO: A ditadura justificada

"O presidente Lula, que tanto admira o cubano Fidel Castro, devia saber que certa vez ele disse: "Os tiranos tremem na presença de homens capazes de morrer por seus ideais." Essas palavras datam de maio de 1981, quando o ativista irlandês Bobby Sands morreu depois de 66 dias de greve de fome em protesto contra as condições carcerárias a que eram submetidos os seus companheiros e pelo direito de ser considerado prisioneiro político. Hoje, quando a tirania castrista se vê confrontada pela morte do preso político Orlando Zapata Tamayo, depois de 85 dias de jejum, e pela greve similar, que já dura 16 dias, do dissidente Guillermo Fariñas, Lula descortina o lado mais tenebroso de sua personalidade política, ao condenar os "homens capazes de morrer por seus ideais" e, pior ainda, ao sair em defesa dos seus algozes.

A morte de Tamayo, em 23 de fevereiro passado, coincidiu com a presença do brasileiro em Cuba. Já então, instado pelos jornalistas que o acompanhavam a se manifestar sobre a tragédia, lamentou "que uma pessoa se deixe morrer por uma greve de fome", calando sobre as razões que a levaram a esse extremo. Um dos 75 condenados da infame leva de 2003, o pedreiro de 42 anos tinha sido adotado pela Anistia Internacional como "prisioneiro de consciência". À maneira de Bobby Sands, deixou de se alimentar para pressionar o governo a melhorar as condições dos mais de 200 presos políticos cubanos. De seu lado, o jornalista e psicólogo Fariñas, de 48 anos, que vive em Santa Clara, a 280 quilômetros de Havana, iniciou a sua greve pela causa de Tamayo e para pedir a libertação dos 26 daqueles detentos em pior estado de saúde.

Como se sabe, Lula recorreu à ferramenta política da fome quando, líder sindical, foi preso pela ditadura militar. Teoricamente, portanto, estaria à vontade para considerar o ato uma "insanidade", como disse anteontem numa entrevista à agência noticiosa americana Associated Press. Mas, salvo engano, nunca antes ele se pôs a verberar o autossacrifício praticado, entre tantos outros, por Nelson Mandela. Inspirado pelo exemplo de Sands, o líder sul-africano, então confinado na ilha onde o regime de supremacia branca mantinha os seus opositores, liderou uma greve de fome pelo direito dos presos de serem visitados por seus filhos menores. Depois de seis dias, a reivindicação foi atendida. Ainda que se tentasse fazer de conta que as atuais objeções de Lula a tal modalidade de protesto não têm relação com os casos cubanos, ele próprio tomou a iniciativa de desmanchar essa interpretação ingênua.

Na citada entrevista, reiterou que "a greve de fome não pode ser utilizada como pretexto de direitos humanos (sic) para libertar as pessoas". E, com palavras das quais jamais se libertará, sugeriu: "Imagine se todos os bandidos presos em São Paulo entrarem em greve de fome e pedirem liberdade." Para ele, "temos de respeitar a determinação da Justiça e do governo cubanos de deter as pessoas em função da legislação de Cuba" que autoriza a prisão de pessoas tidas como suspeitas de vir a cometer o que o regime considera crimes. Disse mais Lula: "Gostaria que não ocorressem (as detenções), mas não posso questionar as razões pelas quais Cuba os deteve, como tampouco quero que Cuba questione as razões pelas quais há pessoas presas no Brasil"  nenhuma delas, como bem sabe, por motivos políticos. Ou seja, leis repressivas não devem ser contestadas, nem quando baixadas por governos ditatoriais ou autoritários.

Na filosofia lulista do direito, a Lei de Segurança Nacional brasileira que condenou a militante Dilma Rousseff a 6 anos de prisão (das quais cumpriu três) ou a legislação do apartheid que aprisionou Nelson Mandela por 27 anos, por exemplo, não são menos legítimas do que as provisões das democracias. Se violam os direitos humanos, não há nada que líderes de outros países possam fazer, salvo afirmar que gostariam que isso não ocorresse. Eis por que o Brasil de Lula se distingue no Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas pela leniência com as denúncias das práticas brutais de governos como os de Cuba e do Irã, enquanto reluta em reconhecer o novo governo hondurenho escolhido em eleições livres. Outros países também adotam esse duplo padrão, mas os seus dirigentes ao menos se guardam de escarnecer das vítimas das ditaduras."

Editorial do Estadão de hoje.