sexta-feira, julho 29, 2005

A horda

Em uma pacata cidade do meio-oeste americano, Billy Bob se empanturra de comida gordurosa, açucarada ou ambos. Ele está alegremente assistindo o seu reality show favorito onde pessoas comuns são colocadas em uma réplica de uma tecelagem inglesa do século XVIII. Cada competidor tem que trabalhar 14 horas por dia, quem cair está desclassificado. No programa de hoje os competidores tem que organizar um greve.

Billy começa a sentir um cheiro de couro crú, ele se dirige até a cozinha, de onde aparentemente o odor está vindo, mas é surpreendido por algo que atravessa a sua janela e vai parar na fincado na parede oposta, é uma machado, mas não machado qualquer, é muito maior, possui láminas nos seus dois lados e o seu cabo de madeira está todo decorado. Ele não tem muito tempo para pensar no que está acontecendo porque logo em seguida entra o dono do machado pela janela. O homem é barbudo e cabelo, ele usa um capacete de chifres e está vestindo uma roupa de couro crú. O homem grunhe e diz coisas incompreensíveis, que soam como um bar, bar,bar.

O probre homem corre para o lado oposto e encontra outra pessoa semelhante saindo da sua cozinha, o capacete dele não tem chifres e em uma das mãos há uma enorme maça de ferro fundido e na outra o frango que Billy ia comer depois do programa. Billy fica muito revoltado porque essas pessoas estranhas e agressivas estão entrando na sua casa, porque justo a sua casa. Mas antes que ele consiga pensar em uma resposta a sua cabeça é esmagada pela obtusa peça de metal do homem do capacete sem chifres.

O que Billy não sabia é que não era nada específicamente contra ele pois todas as casas de sua pacata cidadezinha estavam sendo atacadas por homem semelhantes, muitas delas inclusive já estavam pegando fogo e tudo de valor que podia ser encontrado e todas as garotas que não haviam sido mortas estava sendo carregado para um enorme barco.

As invasões bárbaras estavam se alastrando. Quatro cidadezinhas já haviam sido destruídas pelas hordas incivilizadas. A CIA, o FBI e o exército estavam desesperadamente procurando a origem, mas os bárbaros pareciam brotar da terra.

Mas na última cidade eles haviam encontrado um sobrevivente, um professor de história. Ele foi interrogado:

"Foi horrível, os policiais atiravam, e mataram diversos selvagens, mas eles eram uma onda humana, para cada um que caia surgiam mais três!" - O pobre homem começa a rir histericamente.

"Mas o senhor tem alguma pista da origem da horda?" - Pergunta o homem de preto.

"Pista! Eu sei de tudo! Foram os garotos!" - Mais risadas histéricas.

"Que garotos?"

"Os adolescentes da cidade, se organizaram em um horda de bárbaros e destruiram tudo, eu reconheci vários alunos meus."

"Mas como? Isso é um absurdo."

"Concordo, nunca achei que eles fossem capazes disso."

"Sim é um absurdo, como esses bons jovens americanos iam praticar tal selvageria."

"Não é isso! Como eles foram capazes de se organizar!?"

"Mas e a linguagem? Os grunhidos?"

"Você precisava ver a ortografia deles."

"E os pais, não acharam estranho os filhos se transformarem em selvagens destruidores?"

"Eles acharam que era uma fase e que ia passar, mas quando surgiu a moda de usar roupas de couro cru devo admitir que alguns ficaram preocupados."

"Mas todos participaram disso, ou foi um grupo de desajustados?"

"Não, todos não. Somente os que não estavam chapados."

O homem parecia insano, mas mesmo assim os especialistas se reuniram para discutir. Não chegaram a conclusão nenhuma, mas um estudo descobriu que a cultura de um estudante médio de segundo grau é um pouco pior que a de um viking do século XIV.