sexta-feira, julho 29, 2005

Schopenhauer



Schopenhauer escreveu o "Ensaio sobre o pessimismo". O que poucos sabem é que esse filósofo era atormentado pelo péssimo corte de cabelo e que escreveu também o "Ensaio sobre a miséria capilar". Alguns trecho foram preservados pelo seu cabeleireiro e confidente:

A não ser que um péssimo corte de cabelo seja o objetivo da sua vida, sua existência será uma falha completa. É absurdo ver a quantidade de penteados ruins que existem no mundo, e que não servem a nenhum propósito.

Nós somos como presas à espera da má tesoura que escolhe um ou outro ao acaso. Tanto é assim que na maior parte do tempo não estamos conscientes dos terríveis destinos que nos aguardam: franjas tortas, topetes grandes demais, gel bozzano e até mullets.

Não é uma pequena parte do tormento da existência que está nisso, pois o tempo está constantemente fazendo os nossos cabelos crescerem, levando ele para direções à quais não escolhemos.

Se dois homens são amigos na juventude e se encontram mais velhos, depois de terem se separado por muito tempo, o sentimento que eles vão ter ao olhar um para o outro vai ser de completo descontentamento, diante da perda de cabelos.

Dizem que Brahma criou o mundo por um erro de penteado, e está condenado à mantê-lo até se redimir. Já o Budismo diz que o mundo surgiu de distúrbio inexplicável no nirvana, como um ninho de mafuá. O estado abençoado deve ser novamente atingido pela concentração, o desapego ao mundo material e aos próprios cabelos. Mas não existe explicação para um deus como Jeová, que criou o mundo e os Menudos por puro capricho, e depois se rejubilou com o seu próprio trabalho.

O melhor consolo no infortúnio é olhar os cortes de cabelo piores que os seus, e essa é uma forma de consolo que está ao alcance de todos. Mas que destino horrível para a humanidade como um todo.